The Latest

o-olhar-de-helena-blog:

Onde passou o ventosão altas as ervas,e os olhos águasó de olhar para elas.© Eugénio de Andrade, Acorde, in Primeiros Poemas, 1977
Apr 17, 2014 / 78 notes

o-olhar-de-helena-blog:

Onde passou o vento
são altas as ervas,
e os olhos água
só de olhar para elas.

© Eugénio de Andrade, Acorde, in Primeiros Poemas, 1977

o-olhar-de-helena-blog:

Há uma água clara que cai sobre pedras escurase que, só pelo som, deixa ver como é fria.Há uma noite por onde passam grandes estrelas puras.Há um pensamento esperando que se forme uma alegria.Há um gesto acorrentado e uma voz sem coragem,e um amor que não sabe onde é que anda o seu dia.E água cai, refletindo estrelas, céu, folhagem…Cai para sempre!E duas mãos nela mergulham com tristeza,deixando um esplendor sobre sua passagem.(Porque existe um esplendor e uma inútil belezanessas mãos que desenham dentro da água sua viagempara fora da natureza,onde não chegará nunca esta água imprecisa,que nasce e desliza, que nasce e desliza…)__Cecilia Meireles, Descrição, in Viagem

Photo: Adirondack Mountains, New York (Paul Frederick)
Apr 17, 2014 / 23,321 notes

o-olhar-de-helena-blog:

Há uma água clara que cai sobre pedras escuras
e que, só pelo som, deixa ver como é fria.

Há uma noite por onde passam grandes estrelas puras.
Há um pensamento esperando que se forme uma alegria.

Há um gesto acorrentado e uma voz sem coragem,
e um amor que não sabe onde é que anda o seu dia.

E água cai, refletindo estrelas, céu, folhagem…
Cai para sempre!

E duas mãos nela mergulham com tristeza,
deixando um esplendor sobre sua passagem.

(Porque existe um esplendor e uma inútil beleza
nessas mãos que desenham dentro da água sua viagem
para fora da natureza,

onde não chegará nunca esta água imprecisa,
que nasce e desliza, que nasce e desliza…)

__Cecilia Meireles, Descrição, in Viagem
o-olhar-de-helena-blog:

"Ela era branca, branca. Dessa brancura que não se usa mais. Mas sua alma era furta-cor." 
__Mario Quintana
Photo from imgfave.com
Apr 17, 2014 / 55 notes

o-olhar-de-helena-blog:

"Ela era branca, branca. Dessa brancura que não se usa mais. Mas sua alma era furta-cor." 

__Mario Quintana
seasonalwonderment:

Spring Singing
Apr 17, 2014 / 393 notes

seasonalwonderment:

Spring Singing

(via gsfrenchshabbylife)

seasonalwonderment:

EASTER EGG TREE
Apr 17, 2014 / 20 notes

seasonalwonderment:

EASTER EGG TREE

(via gsfrenchshabbylife)

Apr 14, 2014 / 68 notes

(via granny54)

wasbella102:

Egg Carving
Apr 14, 2014 / 208 notes

wasbella102:

Egg Carving

Apr 14, 2014 / 76 notes
o-olhar-de-helena-blog:

Somos folhas breves onde dormem aves de sombra e solidão. Somos só folhas e o seu rumor. Inseguros, incapazes de ser flor, até a brisa nos perturba e faz tremer. Por isso a cada gesto que fazemos Cada ave se transforma noutro ser. © Eugénio de Andrade, in As Mãos e os Frutos, 1948 
Imagem: teapalm: For (x) (Tasha Marie)
Apr 12, 2014 / 85,279 notes

o-olhar-de-helena-blog:

Somos folhas breves onde dormem 
aves de sombra e solidão. 
Somos só folhas e o seu rumor. 
Inseguros, incapazes de ser flor, 
até a brisa nos perturba e faz tremer. 
Por isso a cada gesto que fazemos 
Cada ave se transforma noutro ser. 

© Eugénio de Andrade, in As Mãos e os Frutos, 1948 

o-olhar-de-helena-blog:

Às vezes tudo se ilumina de uma intensa irrealidade E é como se agora este pobre, este único, este efêmero instante do mundo Estivesse pintado numa tela, sempre… © Mario Quintana, Às Vezes Tudo se Ilumina, in A Cor do Invisível, 1989
Apr 9, 2014 / 481 notes

o-olhar-de-helena-blog:

Às vezes tudo se ilumina de uma intensa irrealidade 
E é como se agora este pobre, este único, este efêmero instante do mundo 
Estivesse pintado numa tela, sempre… 

© Mario Quintana, Às Vezes Tudo se Ilumina, in A Cor do Invisível, 1989

o-olhar-de-helena-blog:

Faço o poema com a mesma ciência e delicadeza com que, mãos adolescentes, e a imaginação nas nuvens, fazia o meu papagaio. Sempre trabalhei sozinho no alto porão do sobrado, onde as talas repousavam. Para urdir a luz do poema, preciso ir aos meus porões onde as palavras me esperam. © Thiago de Mello, É nos Porões, in Campo de milagres, 1998 
Imagem from imgfave.com
Apr 9, 2014 / 75 notes

o-olhar-de-helena-blog:

Faço o poema com a mesma 
ciência e delicadeza 
com que, mãos adolescentes, 
e a imaginação nas nuvens, 
fazia o meu papagaio. 
Sempre trabalhei sozinho 
no alto porão do sobrado, 
onde as talas repousavam. 
Para urdir a luz do poema, 
preciso ir aos meus porões 
onde as palavras me esperam. 

© Thiago de Mello, É nos Porões, in Campo de milagres, 1998 

o-olhar-de-helena-blog:

Segue o teu destino,Rega as tuas plantas,Ama as tuas rosas.O resto é a sombraDe árvores alheias.A realidadeSempre é mais ou menosDo que nós queremos.Só nós somos sempreIguais a nós-próprios.Suave é viver só.Grande e nobre é sempreViver simplesmente.Deixa a dor nas arasComo ex-voto aos deuses.Vê de longe a vida.Nunca a interrogues.Ela nada podeDizer-te. A respostaEstá além dos deuses.Mas serenamenteImita o OlimpoNo teu coração.Os deuses são deusesPorque não se pensam.__Ricardo Reis, in “Odes”, heterónimo de Fernando Pessoa
Apr 8, 2014 / 19 notes

o-olhar-de-helena-blog:


Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

__Ricardo Reis, in “Odes”, heterónimo de Fernando Pessoa

o-olhar-de-helena-blog:

Quando as crianças brincam E eu as oiço brincar, Qualquer coisa em minha alma Começa a se alegrar. E toda aquela infância Que não tive me vem, Numa onda de alegria Que não foi de ninguém. Se quem fui é enigma, E quem serei visão, Quem sou ao menos sinta Isto no coração. © Fernando Pessoa, 5-9-1933 
Fotografia de François Tuefferd
Apr 8, 2014 / 211 notes

o-olhar-de-helena-blog:

Quando as crianças brincam 
E eu as oiço brincar, 
Qualquer coisa em minha alma 
Começa a se alegrar. 

E toda aquela infância 
Que não tive me vem, 
Numa onda de alegria 
Que não foi de ninguém. 

Se quem fui é enigma, 
E quem serei visão, 
Quem sou ao menos sinta 
Isto no coração. 

© Fernando Pessoa5-9-1933 

  • Fotografia de François Tuefferd
coeurreine:

je ne sais pas 
Apr 8, 2014 / 98 notes

coeurreine:

je ne sais pas 

(via divinespirit3)

o-olhar-de-helena-blog:


Clarice Lispector

via simplesmente eu, clarice lispector
Apr 5, 2014 / 9 notes